sexta-feira, 11 de abril de 2014

SEXTA DOR: JESUS É DESCIDO DA CRUZ E ENTREGUE A SUA MÃE

1. Maria saúda as chagas de Jesus, como fontes de nossa salvação

Ó vós que passais pela estrada, atendei e vede, se há dor semelhante à minha dor (Jr 1,12). Almas devotas, escutai o que hoje vos diz a Mãe dolorosa: Filhas diletas, não quero que procureis consolar-Me, porque Meu coração já não pode achar consolação na terra, depois da morte de Meu caro Jesus. Se quereis dar-Me gosto, vinde e vede se houve no mundo dor semelhante à Minha, ao ver como Me arrebataram com tanta crueldade Aquele que era todo o Meu amor. Mas, Senhora, já que não buscais consolo, mas antes sofrimento, eu Vos direi que nem com a morte de Vosso Filho findaram as Vossas dores. Ainda hoje, daqui a pouco, sereis ferida dolorosamente por uma espada. Vereis uma lança cruel transpassar o lado de Vosso Filho, já sem vida. E depois tereis de receber, em Vossos braços, Seu corpo descido da cruz. 

Estamos na sexta dor da pobre Mãe de Jesus. 

Contemplemo-la com atenção e lágrimas de piedade. Até então vieram as dores cruciar Maria, uma a uma. Mas agora assaltaram-nA todas juntas. Basta dizer a uma mãe que seu filho morreu, para toda inflamá-la o amor ao filho que a deixou. Para consolo das mães atribuladas com a perda de algum filho, costumam pessoas recordar-lhes os desgostos que deles receberam. Porém eu, ó minha Rainha, se quisesse consolar-Vos pela morte de Jesus onde acharia algum desgosto dado por Ele, para vo-lo recordar? 

Ah! Ele sempre Vos amara, sempre Vos obedecera e respeitara. Agora O perdestes. Quem há que possa exprimir Vossa aflição? Exprimi-a Vós mesma, que cruelmente a sofrestes!

Morto nosso Redentor, diz um piedoso autor, acompanharam-Lhe a alma santíssima os amorosos afetos da excelsa Mãe, para apresentá-la ao Eterno Pai. Disse talvez o seguinte: "Apresento-Vos, ó meu Deus, a alma imaculada do Meu e Vosso Filho, que Vos obedeceu até a morte; recebei-a em Vossos braços. Eis satisfeita a Vossa justiça e executada a Vossa vontade; eis consumado o grande sacrifício para eterna glória Vossa". Voltando-Se depois para o corpo inanimado de Seu Jesus: " Ó chagas, disse então,chagas amáveis, congratulo-Me convosco, porque por meio de vós foi dada a salvação ao mundoPermanecereis abertas no corpo de Meu Filho, como refúgio de todos quantos recorrem a vós. Quantos por vós hão de receber o perdão de seus pecados e inflamar-se no amor do Sumo Bem! 

2. A dolorosa cena do lanceamento 

Por que não ficasse desfeita a festa do dia seguinte, sábado pascal, exigiram os judeus fosse logo retirado da cruz o corpo do Senhor. Mas como não podiam retirar o sentenciado antes de estar certamente morto, vieram alguns algozes, com pesadas clavas de ferro, e quebraram as pernas aos dois ladrões crucificados. Aproximaram-se também do corpo de Jesus. Enquanto chorava a morte de Seu Filho, vê Maria esses homens armados que se chegam a Jesus. Estremece de terror, mas logo Lhes diz: Ai! Meu Filho já está morto: deixai de ultrajá-lO ainda mais, e de ainda mais Me atormentar o pobre coração de mãe desolada! 

Pediu que não Lhe quebrassem as pernas, observa Boaventura Baduário. Mas enquanto assim falava, ó Deus! vê um soldado erguer com ímpeto a lança e com ela abrir o lado de Jesus. "Um dos soldados lhe abriu (a Jesus) o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água" (Jo 19,34). A esse golpe de lança tremeu a cruz e o Coração de Jesus foi dividido, como por revelação o soube S. Brígida. Saiu sangue e água, pois do primeiro restavam apenas essas últimas gotas. Quis o Salvador derramá-las para nos mostrar que já não tinha sangue que nos dar. Foi para Jesus a injúria desse golpe de lança, mas a dor sentiu-a a Virgem Mãe, diz Landspérgio. Querem os Santos Padres que tenha sido propriamente essa a espada predita à Virgem por Simeão. Não foi uma espada de aço, mas de dor que transpassou a Sua alma bendita, no Coração de Jesus onde sempre morava. Entre outros, diz S. Bernardo: A lança, que abriu o lado de Jesus, transpassou a alma da Virgem, que não podia separar-Se do Filho. Ao ser retirada a lança- revelou a Mãe de Deus a S. Brígida - o sangue de Meu Filho tingia-Lhe a ponta; parecia-Me nesse momento que Meu coração estava transpassado, ao ver que o do Meu Filho fora rasgado pelo golpe. E à mesma santa disse o anjo, que só por um milagre escapou Maria de morrer naquela ocasião. Nas outras dores, a Virgem tinha o Filho a seu lado, mas nem semelhante conforto lhe resta agora. 

3. A Mãe dolorosa recebe nos braços o Filho sem vida 

A atribulada Senhora receava, entretanto, que fizessem outras injúrias a Seu amado Filho. Pediu a José de Arimatéia lhe obtivesse, por isso, de Pilatos o corpo de Jesus, para que ao menos depois de morto o pudesse preservar dos ultrajes dos judeus. Foi José ter com Pilatos, expôs-lhe a dor e o desejo da aflita Mãe. Segundo o Pseudo-Anselmo, Pilatos, compadecendo-se da Mãe, Lhe concedeu o corpo do Redentor. Eis que descem o Salvador da cruz em que morrera! Ó Virgem sacrossanta, destes com tanto amor Vosso Filho ao mundo, e vede como Ele vo-lO entrega! Por Deus, exclama a Senhora, em que estado, ó mundo, Me entregas Meu amado Filho! Era Ele o Meu querido, branco e rosado (Ct 5, 10); e tu mO entregas negro pelas contusões e rubro não pela cor, mas pelas chagas de que O cobriste?! Era belo e ei-lO agora desfigurado! Encantava com Seu aspecto, mas causa horror agora a quem O vê! Quantas espadas feriram a alma dessa Mãe quando em Seus braços depuseram o Filho descido da cruz! diz um autor sob o nome de S. Boaventura. Contemplemos o indizível sofrimento de uma mãe à vista do Seu filho sem vida. 

Conforme as revelações de S. Brígida, encostaram três escadas para descerem o corpo de Jesus. Primeiro desprenderam os santos discípulos as mãos, depois os pés e entregaram os cravos a Maria, como refere Metafrastres. 

Segurando o corpo de Jesus, um por cima e outro por baixo, o desceram da cruz. 

Ergue-se a Mãe, relata Bernardino de Busti, estende os braços para o Filho, abraça-O e senta-Se aos pés da cruz. Contempla-Lhe a boca aberta e os olhos obscurecidos; examina Seu corpo rasgado pelas chagas e os ossos descobertos. Tira-Lhe a coroa, e vê que horríveis chagas os espinhos fizeram naquela sagrada cabeça. Olha finalmente as mãos e os pés transpassados pelos cravos e diz: Ah! Filho, a que extremos Vos reduziu Vosso amor pelos homens! Que mal lhes fizeste para que assim Vos maltratassem? Vós me eras pai, irmão e esposo, - fá-lA dizer Bernardino de Busti; eras minha glória, minha delícia e meu tudo. Filho, vê como estou aflita, olha-Me e consola-Me. Mas ai! não Me falas mais, porque estás morto. E dirigindo-Se aos instrumentos de martírio: Ó espinhos cruéis, ó desapiedada lança, como pudestes assim atormentar vosso Criador? Mas por que acuso os espinhos, os cravos? Ah! pecadores, fostes vós que assim maltratastes a Meu Filho! 

4. Queixas de Maria sobre os pecadores 

Assim então Maria Se queixou de nós. E se agora pudesse sofrer, que diria? Que pena sentiria, vendo que os homens, mesmo após a morte de Jesus, continuam a maltratá-lA e crucificá-lA com seus pecados? Nunca mais atormentemos, pois, essa Mãe aflita! Se pelo passado a afligimos com nossas culpas, façamos agora o que Ela nos diz. Mas que é que nos diz? "Tomai isto a sério, vós prevaricadores" (Is 46, 8). Pecadores, voltai ao ferido Coração de Jesus; arrependei-vos, que ele vos acolherá. 

Pelo abade Guerrico, nos diz ainda a Senhora: Fugi de Jesus vosso Juiz, para Jesus, vosso Salvador; fugi do tribunal para a cruz! 

A Santíssima Virgem revelou a S. Brígida que, quando desceram Seu Filho da cruz, Ela Lhe cerrou os olhos, mas não pode fechar os braços. Jesus dava-nos assim a entender que Seus braços hão de ficar sempre abertos para acolher todos os pecadores arrependidos.

Ó mundo, continua Maria, "eis que agora estás no tempo, no tempo de amor" (Ez 16, 18). Meu Filho morreu para salvar-te; já não é para ti um tempo de temor, mas de amor. É tempo de amares Aquele que tanto quis sofrer, para provar quanto te ama. O Coração de Jesus foi ferido, diz S. Boaventura, a fim de nos mostrar pela chaga visível o Seu amor invisível. E alhures o Santo faz Maria dizer: Se Meu Filho quis que Lhe fosse aberto o lado para dar-te Seu coração, é justo que Lhe dês também o teu. 

Se, portanto, quereis, ó filhos de Maria, achar lugar no Coração de Jesus, sem receio de repulsa, ide a ele juntamente com Maria, por quem alcançareis tal graça. Assim nos exorta Hubertino de Casale. 

EXEMPLO 

Na cidade de Casena, viviam dois amigos muito viciados. Um deles, Bartolomeu, apesar da má vida, tinha por costume recitar todos os dias o Stabat Mater. Recitando-o, certa vez, pareceu-lhe que, com um seu amigo, se achava dentro de uma enorme fogueira. Viu então como a Santíssima Virgem lhe estendeu a mão, a Ele, Bartomeu, para o tirar do meio das chamas e dEla recebeu o conselho de pedir perdão a Nosso Senhor. E Jesus mostrou-Se pronto a perdoar por causa da intercessão de Sua Mãe Santíssima. Mal terminara essa visão, quando vieram contar a Bartomeu que seu amigo tinha sido mortos a tiros. Viu assim o pecador que não fora puro sonho o que a imaginação lhe mostrara. Deixou por isso o mundo, e entrou para a Ordem dos Capuchinhos. No convento, levou uma vida austera e penitente, morrendo, por fim, em fama de santidade.

ORAÇÃO

Ó Virgem dolorosa, ó alma grande pelas virtudes e também pelas dores, pois que ambas nascem do grande incêndio do amor que tendes a Deus, o único objeto amado por Vosso coração. Ah! minha Mãe, tende piedade de mim, que não tenho amado a Deus e tanto O tenho ofendido. Vossas dores me enchem de grande confiança, e me fazem esperar o perdão. Mas isso não me basta; quero amar a meu Senhor. E quem me pode alcançar essa graça melhor que Vós, que sois a Mãe do belo amor? Ah! Maria, a todos consolastes; consolai também a mim. Amém.


(Glória de Maria por Santo Afonso Maria de Ligório)

quinta-feira, 10 de abril de 2014

PAPA CONDENA MORTE BRUTAL DE JESUÍTA NA SÍRIA

Cidade do Vaticano – O papa condenou nessa terça-feira (8) o assassinato brutal do padre jesuíta Frans van der Lugt, morto a tiro na Síria, essa segunda, e pediu o fim da guerra no país.

"O seu brutal assassinato encheu-me de profunda dor e fez-me pensar também nas muitas pessoas que sofrem e que morrem nesse país martirizado, a minha amada Síria, há demasiado tempo vítima de um conflito sangrento, que continua a espalhar morte e destruição", afirmou Francisco, falando na Praça de São Pedro, Vaticano, durante a audiência pública semanal. 
                                                                      
A intervenção recordou as "numerosas pessoas raptadas", cristãos e muçulmanos, sírios e de outros países, entre os quais há bispos e sacerdotes. "Peçamos ao Senhor que eles possam voltar quanto antes aos seus entes queridos e às suas famílias e comunidades", disse. 

Francisco convidou todos à oração "pela paz na Síria e na região", lançando um "apelo urgente" aos responsáveis sírios e à comunidade internacional: "Por favor, que as armas se calem, que se ponha fim à violência”. “Basta de guerra, basta de destruição”, exclamou, antes de rezar, com os presentes, à Virgem Maria, "Rainha da Paz". 

Segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com sede no Reino Unido, os combates entre as tropas do governo de Bashar Al-Assad e forças opositoras ao regime já provocaram 150 mil mortos, incluindo 7985 crianças, e milhões de refugiados e deslocados. 

O papa pediu que se respeite o "direito humanitário", com atenção à "população necessitada de assistência humanitária”, e se chegue “à desejada paz através do diálogo e da reconciliação". Francisco explicou às milhares de pessoas presentes que o padre Frans van der Lugt, um “confrade jesuíta holandês” de 75 anos, estava na Síria há quase cinco décadas, onde “sempre fez o bem a todos, com gratuidade e amor”.  "Por isso, era amado e estimado por cristãos e muçulmanos", declarou. 

O religioso foi baleado duas vezes na cabeça por um atirador que ainda não foi identificado, diante da sua casa, em Homs. O responsável máximo (prepósito-geral) dos jesuítas, padre Adolfo Nicolás, manifestou o seu pesar pelo assassinato do sacerdote holandês, “um homem que dedicou a sua vida aos pobres e aos necessitados e que não quis abandoná-los, mesmo nos momentos de maior perigo”.


QUINTA DOR: MORTE DE JESUS

1. Maria assistiu à agonia de Seu Filho na cruz 

Aqui temos a contemplar uma nova espécie de martírio. Trata-se de uma Mãe condenada a ver morrer diante de Seus olhos, no meio de bárbaros tormentos, um Filho inocente e diletíssimo. "Estava em pé junto à cruz de Jesus, sua Mãe " (Jo 19,25). É desnecessário dizer outra coisa do martírio de Maria, quer com isso declarar S. João; contemplai-A junto da cruz, ao lado de Seu Filho moribundo e vede se há dor semelhante à Sua dor. 

Demoraremo-nos a considerar essa quinta espada de dor que transpassou o coração de Maria: a morte de Jesus. 

Quando nosso extenuado Redentor chegou ao alto do Calvário, despojaram-nO os algozes de Suas vestes, transpassaram-Lhe as mãos e os pés com cravos, não agudos, mas obtusos (segundo a observação de um autor), para maior aumento de Suas dores, e pregaram-nO à cruz. Tendo-O crucificado, elevaram e fixaram a cruz e O abandonaram à morte. Abandonaram-nO os algozes, mas não O abandonou Maria. Antes ficou mais perto da cruz para Lhe assistir à morte, como Ela mesma revelou a S. Brígida. 

Mas de que servia, ó Senhora minha, irdes presenciar no Calvário a morte de Vosso Filho? pergunta S. Boaventura. Não Vos deveria reter o vexame, já que o opróbrio dEle era também o Vosso, que Lhe éreis a Mãe? Pelo menos não deveria reter-Vos então o horror ao delito de criaturas que crucificavam o Seu próprio Deus? Mas, ah! o Vosso coração não cuidava então da própria, e sim da dor e da morte do Filho querido. Por isso quisestes assisti-lO e acompanhá-lO com Vossa compaixão. Ó Mãe verdadeira, diz o Vulgato Boaventura, ó Mãe amante, que nem o horror da morte pode separar do Filho amado! 

Mas, ó meu Deus, que doloroso espetáculo! Na cruz, agonizando, está o Filho e junto à cruz a Mãe agoniza também, toda compadecida das penas desse Filho. O lastimoso estado em que viu Seu Jesus moribundo na cruz, revelou-o Maria a S. Brígida, dizendo: "Estava Meu Jesus pregado ao madeiro, saturado de tormentos e agonizante. Seus olhos encovados estavam quase cerrados e extintos; os lábios pendentes e aberta a boca; as faces alongadas, afilado o nariz, triste o semblante. Pendia-lhe a cabeça sobre o peito; Seus cabelos estavam negros de sangue, o ventre unido aos rins, os braços e as pernas inteiriçados, e todo o resto do corpo coalhado de chagas e de sangue". 

Todas essas penas de Jesus eram outras tantas chagas no coração de Maria, observa o Pseudo-Jerônimo.

Aquele que então estivesse presente no Calvário, diz Arnoldo de Chartres, veria dois altares onde se consumavam dois grandes sacrifícios: um era o corpo de Jesus, outro era o coração de Maria. Mais me agradam, porém, as palavras de S. Boaventura, declarando que só havia um altar: a cruz do Filho onde a Mãe era sacrificada juntamente com o Cordeiro Divino. Por isso, pergunta-Lhe: "Ó Maria, onde estáveis? Junto à cruz? Ah! com muito maior razão digo que estáveis na mesma cruz, imolando-Vos crucificada com Vosso Filho". O Pseudo-Agostinho assevera: A cruz e os cravos feriram ambos, o Filho e a Mãe; juntamente com o primeiro foi também crucificada a segunda. O que faziam os cravos no corpo de Jesus, prossegue o Vulgato Bernardo, operava o amor no coração de Maria. De modo que, enquanto o Filho sacrificava o corpo, a Mãe sacrificava a alma, como se expressa S. Bernardino.

2. Maria não pode aliviar as penas de Seu Filho

Fogem as mães da presença dos filhos moribundos. 

Quando, porém, uma mãe é obrigada a assistir um filho em agonia, procura dar-lhe todo alívio possível. Ajeita-o na cama, para que fique mais a gosto, e dá-lhe algum refresco. Desse modo a pobrezinha vai disfarçando sua dor. Ah! Mãe de todas a mais aflita! ó Maria, a Vós é imposto assistir Jesus moribundo, mas não Vos é facultado procurar-Lhe alívio algum. 

Maria ouve o Filho dizer que tem sede, sem que Lhe seja permitido dar-Lhe um pouco de água para dessedentá-lO. Pode dizer-Lhe apenas, conforme as palavras de S. Vicente Ferrer: Meu Filho, tenho tão somente a água de minhas lágrimas. Vê como Seu pobre Jesus, pregado àquele leito de dores por três cravos de ferro, não podia achar repouso. Queria abraçá-lO para consolá-lO, e para que ao menos expirasse em Seus braços, mas não o podia fazer. Nota que Seu Filho, mergulhado num mar de angústias, procura quem O conforte, segundo a predição de Isaías: Eu calquei o lagar sozinho... Eu olhei em roda e não havia auxiliar; busquei e não houve quem me ajudasse (63, 3 e 5). Mas que consolação podia Ele achar entre os homens, se todos Lhe eram inimigos? Mesmo pregado na cruz, uns blasfemavam dEle e outros O escarneciam: E os que iam passando blasfemavam dele (Mt 27, 39). Outros Lhe diziam no rosto: Se és Filho de Deus, desce da cruz (27, 40). Desafiavam-nO alguns: Salvou a todos e a si mesmo não se pode salvar... Se é o rei de Israel, desça agora da cruz (27, 42). 

Além disso, a Santíssima Virgem revelou a S. Brígida: "Ouvi alguns dizerem do Meu Filho que era um ladrão; outros, que era um impostor; outros, que ninguém merecia tanto a morte como Ele. Esses insultos eram para Mim espadas de dor". 

O que mais aumentou, contudo, a dor de Maria, na Sua compaixão para com o Filho, foi ouvir-Lhe a queixa: Meu Deus, meu Deus, por que me desamparastes? (Mt 27, 46). Palavras foram essas que nunca mais Me saíram da mente, disse a divina Mãe a S. Brígida. Assim a aflita Mãe via Jesus atormentado por todos os lados. Queria aliviá-lO e não podia fazê-lo. Maior era ainda o sofrimento, ao ver que com Sua presença aumentava a pena do Filho. Daí, pois, a frase do Vulgato Bernardo: "A plenitude das dores do coração de Maria derramou-se como uma torrente no Coração de Jesus. Sim, Jesus na cruz sofria mais pela compaixão de Sua Mãe, que por Suas próprias dores. Junto a cruz estava a Mãe, muda de dor; vivia morrendo, sem poder morrer".

Jesus Cristo, assim refere Passino, revelou à Bem-aventurada Batista Varano de Camerino, que nada O fez sofrer tanto como a comiseração de Sua Mãe ao pé da cruz, e que por isso morreu sem consolação. E conhecendo a bem-aventurada, por uma luz sobrenatural essa dor de Jesus, exclamou: Senhor, não me faleis dessa Vossa pena, que eu não posso mais! 

3. Maria ao pé da cruz. é nossa Mãe espiritual 

Pasmavam as pessoas que então consideravam essa Mãe, diz Simeão Fidato de Cássia, por verem-nA quedar-Se silenciosa, sem uma queixa ou lamento, no meio de tamanha dor. Mas, se os lábios guardavam silêncio, não o guardava contudo o coração. Pois a Virgem não cessava de oferecer à Divina Justiça a vida do Filho pela nossa salvação. Por aí vemos o quanto cooperava pelos Seus sofrimentos para fazer-nos nascer à vida da graça. E se nesse mar de mágoas, que era o coração de Maria, entrou algum alívio, então este único consolo foi certamente o animador pensamento de que, por Suas dores, cooperava para nossa eterna salvação. O próprio Salvador revelou a Santa Brígida: Minha Mãe tornou-Se Mãe de todos no céu e na terra, por Sua compaixão e Seu amor. Com efeito, outro sentido não tinham as palavras com que Jesus Se despediu de Sua Mãe. Como derradeira lembrança deu-nos a Ela por filhos, na pessoa de S. João: Mulher, eis o teu filho (Jo 19,26). Começou desde então a Senhora a exercer para conosco esse ofício de mãe estremecida. 

Atesta S. Pedro Damião (assinala-o Salmeron) que estando por isso Maria entre a cruz do Filho e do bom ladrão, por Suas preces converteu e salvou este último. Assim o recompensou por serviços prestados outrora, quando a Sagrada Família procurava o Egito. Nessa ocasião mostrara-se o bom ladrão prestimoso e afável, conforme contam vários autores. E a Santíssima Virgem continua e continuará sempre a exercer este ofício de Mãe desvelada. 

EXEMPLO 

O Venerável Joaquim Piccolomini, um fervoroso servo de Maria, já em criança, costumava visitar três vezes ao dia uma imagem de Nossa Senhora das Dores. Aos sábados, jejuava em honra da Virgem. Fazia mais. Levantava-se no meio da noite, para meditar sobre as dores de sua Mãe celeste. Vejamos como Maria recompensou o seu servo. Joaquim era ainda moço quando Ela lhe apareceu e o fez entrar na Ordem dos Servitas. 

Outra vez lhe apareceu pelos últimos anos da vida, tendo nas mãos duas coroas. Uma era de rubis como prêmio pela compaixão com os sofrimentos dEla; era de pérolas a outra, em recompensa da virgindade guardada por Joaquim. Pela terceira vez veio vê-lo à hora da morte. O Venerável pediu-Lhe a graça de morrer na Sexta-feira Santa. Ao que a Virgem o consolou, dizendo: Eia, pois, prepara-te; amanhã é Sexta-feira Santa e morrerás, como desejas, indo comigo ao céu. E assim de fato aconteceu. Quando se cantava na igreja a Paixão do Senhor, entrou Joaquim em agonia. E às palavras "Inclinando a cabeça (Jesus) morreu" o Venerável entregou sua alma a Deus. No mesmo instante espalhou-se pela igreja um vivo fulgor e suave fragrância. 

ORAÇÃO

Ó aflitíssima entre todas as mães, morreu, pois Vosso Filho tão amável e que tanto Vos ama. Chorai, que bem razão tendes para chorar. Quem poderia Vos consolar jamais? Só pode dar-Vos algum lenitivo o pensar que Jesus com Sua morte venceu o inferno, abriu aos homens o paraíso, que lhes estava fechado, e fez a conquista de tantas almas. Do trono da cruz Ele reinará sobre tantos corações que, pelo amor vencidos, O servirão com amor.

Dignai-Vos, entretanto, ó minha Mãe, consentir que me conserve a Vossos pés, chorando conVosco, já que eu, pelos meus grandes pecados, tenho mais razão de chorar que Vós. Ah! Mãe de Misericórdia, em primeiro lugar pela morte de meu Redentor, e depois pelo merecimento de Vossas dores, espero o perdão e a salvação eterna. Amém.


(Glórias de Maria por Santo Afonso Maria de Ligório)

DIRETOR DA FACULDADE ARQUIDIOCESANA TOMA POSSE

Em sessão solene presidida por Dom Geraldo Lyrio Rocha, na noite da última terça-feira (08/04), tomou posse o novo Diretor Geral da Faculdade Arquidiocesana de Mariana (FAM), Padre Vander Sebastião Martins, Vigário Paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição em Ouro Preto.

O novo Diretor Geral sucederá o Padre José Carlos dos Santos e exercerá o seu mandato por um período de quatro anos, renováveis, tendo como colaboradores diretos o diretor acadêmico, Padre Edmar José da Silva, e o coordenador do curso de filosofia, Padre Edvaldo Antônio de Melo.

Foto: Seminarista Hércules Werneck

quarta-feira, 9 de abril de 2014

CNBB CONVIDA JOVENS PARA A MISSÃO NA AMAZÔNIA

Atendendo ao chamado de Cristo e da Igreja, as Comissões Episcopais para a Juventude; Amazônia; Ação Missionária e Cooperação Intereclesial; Missão Continental, pertencentes à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com apoio das Pontifícias Obras Missionárias (POM) lançam a primeira “Missão Jovem na Amazônia”. De 30 de novembro a 15 de dezembro, as dioceses de Roraima, Coari, Borba e Parintins serão o cenário do projeto que visa despertar o jovem para a vivência da vocação missionária, convivendo, conhecendo, aprendendo e trocando experiências na realidade amazônica das comunidades ribeirinhas e indígenas.
Para a participação na missão é preciso preencher um cadastro, que será disponibilizado durante todo o mês de maio, no site www.jovensconectados.org.br. Dos inscritos, serão selecionados aproximadamente 60 jovens de 18 a 35 anos advindos de todo o Brasil, que se dividirão em quatro grupos para as respectivas dioceses.
Cada jovem deverá providenciar suas despesas de ida e volta até o local, porém, as comissões responsáveis pelo projeto proverão recursos para o desenvolvimento da missão na respectiva diocese que acolhe e esta providenciará meios de locomoção dentro do seu território, hospedagem e alimentação.
Os selecionados participarão de uma formação online ministrada pelos assessores da CNBB e das POM ligados ao projeto, juntamente com os jovens coordenadores de cada grupo missionário, nos meses que antecedem a viagem. Haverá ainda uma formação presencial com as equipes formadas, entre 30 de novembro a 2 de dezembro, em Manaus para estudo, convivência, celebração e envio à missão.
A experiência missionária terá duração de 10 dias em comunidades estabelecidas pela diocese escolhida e será embasada a partir do intercâmbio de experiências na vivência conjunta entre os jovens, ajudando a criar uma consciência mais aberta da Igreja que vai além dos limites dos seus grupos, pastorais, paróquias e cidades.
As atividades serão encerradas com uma avaliação dos grupos, que se reunirão novamente na capital do Amazonas de 13 a 15 de dezembro, com partilhas das experiências vividas. Será formulada ainda uma carta destinada à Igreja no Brasil, com intuito de fomentar outras iniciativas como essa, além de animar os católicos do país.
Por que uma missão na Amazônia?
Com o objetivo de preparar para a Semana Missionária, na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Rio 2013, as comissões episcopais para a Juventude e Animação Missionária da CNBB, em parceria com as Pontifícias Obras Missionárias, realizaram em 2012 o Seminário Juventude e Missão, com o lema: “A alegria de ser jovem, discípulo missionário de Cristo”.
Deste seminário, surgiu o desejo da juventude presente de fazer uma missão, para assim manifestar o compromisso e o protagonismo dos jovens com o chamado de Jesus Cristo, especialmente na Amazônia, onde a Igreja tem um olhar especial e já desenvolve um trabalho sólido.
Essa inspiração foi reforçada na JMJ 2013, com o apelo do Papa Francisco: “Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três palavras, vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe mais alegria”.
Ele também exortou na ocasião sobre a necessidade de maior incentivo à participação da evangelização na Amazônia. “Fazem falta formadores qualificados, especialmente formadores e professores de teologia, para consolidar os resultados alcançados no campo da formação de um clero autóctone, inclusive para se ter sacerdotes adaptados às condições locais e consolidar por assim dizer o rosto amazônico da Igreja. Nisto lhes peço, por favor, para serem corajosos, para serem destemidos”, apontou o pontífice.
Portanto, com sensibilidade profética, essa missão foi abraçada pelas comissões responsáveis no 1º Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, ocorrido nos dias 28 a 31 de outubro de 2013, em Manaus, onde diversas dioceses se candidataram para receber o projeto. As selecionadas para esta primeira experiência foram Roraima, Coari, Borba e Parintins.
Essa é uma semente lançada e a proposta é que anualmente ocorra esta missão da juventude na Amazônia percorrendo aos gradativamente as 18 dioceses que se manifestaram abertas à acolhida dos missionários jovens de todo o país.

Serviço
Missão Jovem na Amazônia
Data: 30 de novembro a 15 de dezembro
Local: dioceses de Roraima, Coari, Borba e Parintins, com formação presencial em Manaus
Inscrições: durante todo o mês de maio, pelo site www.jovensconectados.org.br
Mais informações: site dos Jovens Conectados ou pelo e-mail:missaoamazonia@jovensconectados.org.br